2009/10/31

Eleições para a Assembleia Municipal.


Desconheço se o PS fez algumas diligências junto dos restantes eleitos para a Assembleia Municipal no sentido de apresentar uma lista que reunisse o consenso. Ao que tudo indica não.

O PS continua a agir como se tivesse maioria absoluta. Não demonstra capacidade para fazer consensos e muito menos para explicar a ausência dos mesmos.

A técnica da vitimização já não resulta.

Contudo, não podemos olhar para o que se passou sem fazer uma reflexão profunda.
Se a actuação do PS é lamentável a actuação dos restantes eleitos têm de ser bem explicada.

É necessário que os eleitores saibam o que se passou.

Não nos podemos esconder em formalismos legais de uma lei aberrante.

Luís Tovim encabeçou a lista do PS para a Assembleia Municipal e ganhou. Isto não lhe dá, em caso de maioria relativa, o acesso directo à mesma ( a eleição em caso de maioria absoluta é um ritual). Mas também não dá o direito à oposição de alterar a indicação popular sem uma boa explicação.

Por isso, antes de se fazer mais juízos é necessário que os partidos se expliquem.

Para os Sociais-democratas mais entusiasmados com a vitória deixo uma questão para meditarem.
Se o PSD tivesse ganho com maioria relativa o que é que achavam de Luís Tovim ser eleito para Presidente da Assembleia Municipal em detrimento de Vitor Pais.

2009/10/30

Para reflectir no fim de semana



Terminou hoje um ciclo político na figueira.
A ruptura entre o PS e o Movimento Figueira 100% tem dominado a politica local.
Politicamente, o PSD não chegou melhor a estas eleições do que o PS.
No período que passou entre as eleições e a tomada de posse pouco se ouviu falar do PSD.
Com excepção das declarações de Lidio Lopes e Miguel Almeida ao Diário as Beiras, aparentemente nada se passa para os lados do PSD.
Tudo isto, e uns acordos políticos em algumas Juntas de Freguesia, dá um ar de estabilidade para os lados Laranja.
Não se iludam meus senhores. O PSD perdeu as eleições e em boa parte devido à situação interna do PSD concelhio. Foi uma morte lenta que durou 4 anos.
O que é que vai ser mais importante para o PSD?
Os últimos 4 anos ou o período pós eleitoral?

Esclarecimentos precisam-se.


Hoje no Diário de Coimbra.

Comunicado do Presidente de Junta eleito, (e demissionário) de Quiaios:

“ É que, segundo refere em comunicado, apesar de ter tentado «a via do diálogo para obter consensos» e de «várias tentativas efectuadas por destacados elementos do PS Figueira, o diálogo foi-nos sempre negado»
Lamentando ainda que o eleito da CDU «perante a nossa firmeza e desapego do poder», tenha dito que «Quiaios perdia muito com a minha renúncia ao mandato», depois de «perder a boleia que o PS lhe tinha dado sem mandato dos que neles votaram», e que o PS, através do seu líder, tenha demonstrado mais uma vez, o autoritarismo de que é capaz, impondo, em jeito de esmola, e desrespeitando a liberdade individual dos eleitos na lista “Quiaios Sempre” dois lugares na mesa da assembleia de freguesia».”

Depois deste comunicado o PS Figueira não pode ficar calado. Não sei onde anda o Presidente da Concelhia mas, se não quer aparecer escreva.

O PS Figueira tem de deixar claro se apoia ou não esta atitude, se mantém a confiança politica nos 4 elementos da lista eleitos e se estes vão fazer parte da mesma nas novas eleições.

A desculpa “ não definiram critérios sobre coligações nas freguesias, pois cada situação era realidade diferente” avançada pelo secretariado do PS é completamente deslocada desta realidade.

Estamos a falar de um mínimo de respeito pela vontade dos eleitores.

A CDU também tem esclarecimentos a prestar. O seu eleito era factor de desempate. Bem prega Frei Tomás.

Duvidas!!



(Para não dizerem que não se lê nada de esquerda aqui fica o enquadramento com a ajuda de Eduardo Lourenço)

Neste momento os votantes na candidatura de João Ataíde estão:

Desiludidos com o candidato;

Desiludidos com o PS;


Desiludidos com a Figueira 100% ou,

É o PS que está desiludido com Ataíde;

É o Ataíde que está desiludido com o PS;


O PS e Ataíde estão desiludidos com a Figueira a 100%;

A Figueira a 100% que está desiludida com o PS e com Ataíde ou,


O PS e Ataíde estão desiludidos mas ainda não perceberam com quem? Se com eles mesmos ou com os outros!



Penso que só quando se resolver este enigma se vai perceber o que se passou.

Vá, tudo sentado no sofá que a terapia tem de ser rápida.

Faces ocultas apenas para os que andam de olhos fechados


O enquadramento penal e processual penal não facilita a investigação da criminalidade económica. Mas este não é o principal problema.

Este problema é grave. É mais grave ainda quando as cúpulas profissionais ligadas à justiça estão completamente manietadas pelo sistema político. Se estão neste estado não é apenas responsabilidade da classe política. Essas cúpulas à muito que fizeram a sua opção. Querem fazer parte do poder.

Não é mais sustentável que, num pais minado pela cunha e pela corrupção, os processos de investigação não sejam concluídos a tempo e horas e em regra resultem na absolvição dos arguidos. Se não o são em primeira instância é nas relações ou no supremo.

Não se querem condenações a todo o custo. Não podemos é aceitar que se continue numa atitude covarde sem retirar consequências.

Estamos muito próximo de bater no fundo em termos de resultados da investigação criminal.
Não existe um estado viável sem um verdadeiro sistema de justiça.

Espero que a dignidade profissional que ainda existe possa vingar.

Como diz Eduardo Lourenço “ somos um país de fanáticos suaves” ao contrário do apregoado “ de brandos costumes”.

Mais tarde ou mais sedo a nossa covardia pode rebentar-nos nas mãos.

2009/10/29

Não sei porquê ….


Lembrei-me da frase de Benjamin Franklin: Nada é mais certo neste mundo do que a morte e os impostos.

Se o autor da frase vivesse hoje em Portugal acrescentaria: Nada é mais certo neste mundo do que a morte, os impostos e encontrar notícias sobre corrupção desportiva em jornais desportivos e sobre corrupção económica em jornais económicos.

Quando uma lei má se junta com falta de respeito pelos eleitores.



A lei autárquica que temos é miserável. A única coisa que pode ajudar a minimizar os efeitos de uma lei com esta natureza é o respeito pela vontade dos eleitores.

Quando uma população decide que quer A ou B a governar a oposição tem a obrigação de o permitir.

O que vem noticiado hoje no Diário as Beiras, sobre as eleições para o executivo da Junta de Freguesia de Quiaíos é no mínimo lamentável.

Ao Diário as Beiras

“Carlos Monteiro, do Secretariado do PS, disse que “o partido e a candidatura de João Ataíde não definiram critérios sobre coligações nas freguesias, pois cada situação era uma realidade diferente”

Não se trata de coligações. O que está em causa é deixar que quem ganha forme o executivo com quer trabalhar.
Enquanto alguns políticos não perceberem isso nada feito.

A lei autárquica apenas serve para caciques e aparelhistas. Nada de novo portanto.
Espero que a população de Quiaios resolva este assunto num futuro próximo.

2009/10/28

Romance?

As beiras de hoje.
"O MOVIMENTO independente Figueira 100% ainda não respondeu ao convite de João Ataíde.À hora do fecho desta edição fonte da plataforma liderada por Daniel Santos ainda não havia decidido se aceitava ou não a oferta de pelouros para um dos seus dois vereadores.Victor Coelho terá garantido que não está interessado em aceitar a oferta. Salvaguardou, porém, que poderá mudar de ideias caso os interesses do movimento possam ser postos em causa. "

"Não obstante as alianças que possam, estar em causa, o “casamento” ou o “divórcio” deverão
ser anunciados nos próximos dias."

" Se João Ataíde procura pelo menos um aliado para viabilizar a governação da câmara, já Luís Tovim precisa de vários e corre o risco de ver a sua eleição nas urnas não ser ratificada pela assembleia."

Não percebo. O problema é a oferta que é pouca ou é a falta de uma estrutura. Isto porque as decisões são tomadas de forma colectiva. Ou não? E faltam uns estatutos não é?
Vá não se façam de difíceis.

Diário as Beiras de ontem

"Falando para o principal partido da oposição, João Ataíde lembrou que o mandato que inicia sexta-feira vai ficar fortemente condicionado por projectos lançados por Duarte Silva e, sobretudo, pela situação financeira da câmara."

Em Campanha.




Entrevista a João Ataíde ( sitio da candidatura )
P - Vê virtudes na gestão do actual Presidente da Câmara?

“Invariavelmente, referem que o Eng. Duarte Silva tem pouca iniciativa, não fez obra ….”
“… Tudo isto poderia, eventualmente, ser “perdoado” se a autarquia tivesse lançado alguma obra”

P – Há pouco referiu que nestes últimos anos não foi lançada nenhuma iniciativa para resolver os problemas estruturais do Concelho. Mas o Eng. Duarte Silva garante que teve um papel preponderante para que o governo tivesse avançado com as empreitadas que resolveram os problemas estruturais das acessibilidades à Figueira da Foz. Não é uma contradição?

O Presidente da Câmara teve, concerteza, o seu papel, mas é um abuso afirmar que a autarquia é co-responsável pela realização das empreitadas. Trata-se de obra do governo, do governo do PS, temos todos de reconhecer que este foi o governo que, nos últimos 30 anos, mais investiu no Concelho. Agora, temos de ter uma estratégia local de desenvolvimento, que aproveite as potencialidades criadas com as novas acessibilidades. E eu pergunto: qual é a estratégia deste executivo?
O actual Presidente da Câmara tem, lamento dizê-lo, um problema de credibilidade…
E procissão ainda vai no adro, digo eu.

2009/10/27

Ontem no Diário as Beiras

Daniel dos Santos receptivo a coligação com o PS.
Podia ser está a parte importante da notícia mas não é.

A parte importante da noticia é: “Todavia, lembrou Daniel Santos,“o movimento não é um partido e todas as decisões serão tomadas de forma colectiva”. Para facilitar a gestão, na primeira quinzena de Novembro a estrutura vai transformar-se em associação, tendo sido entretanto criada uma comissão que tem por função elaborar os estatutos.”

Este é o problema destes ditos movimentos. Quando se trata de um movimento que já existe e têm participação activa na vida de um concelho já se sabe, mais ou menos, qual o conteúdo programático e se quisermos ideológico dos ditos. Sabe-se também que a sua existência não depende do resultado das eleições.
Quando se formam para disputar eleições o seu conteúdo ideológico e projecto politico corre o risco de deixar de existir.
As opções são tomadas em função, ou condicionadas, pelo resultado eleitoral. São condicionadas ainda, pelo prazo de validade destes movimentos. Em regra esgotam-se num mandato.
Dos eleitores que votaram nestes movimentos a maioria pode sair defraudada. Uns porque votaram a favor de um projecto que não é concretizável em 4 anos e menos ainda sem governar, outros porque votaram contra alguma coisa que não tendo entrado pela porta da frente entra agora pela porta dos fundos.
Como daqui a 4 anos provavelmente já não existe ou não concorre não será possível fazer o seu julgamento político.
Não tenho nada contra movimentos independentes, muito pelo contrário. Entendo, é que se têm de prestar mais atenção aos mesmos e ser mais exigente.

2009/10/26

O eterno retorno ou na modalidade caseira, ora agora sou eu e a seguir és tu.


A qualidade política em Portugal anda pelas ruas da amargura. Podemos dizer que não é de agora. Podemos mas isso não altera nada nem dá nenhum conforto.

A falta de qualidade das estruturas políticas têm-se revelado em muitos aspectos mas, o pior talvez tenha sido a incapacidade de pensar.

Isto vem a propósito dos acordos sejam, a nível de governo ou das autarquias.

No caso da Figueira as conversas são para todos os gostos. Os que ganharam tem dificuldade em criar um executivo coerente. Os que perderam querem afinal ganhar.

Dizem muitos políticos e comentadores que se trata de uma questão de representatividade. Pois eu digo que se trata de um chorrilho de tretas.

Se a política em Portugal estivesse ao serviço das populações já a legislação autárquica tinha sido profundamente alterada. O problema é que a dita legislação está ao serviço dos partidos.

Quem ganha as eleições, nem que seja por um voto, tem o direito de formar um executivo próprio. Não pode haver vereadores de outros partidos no executivo.
A actual situação é que distorce o sentido do voto.

A representatividade é ao nível da Assembleia Municipal ou de Freguesia.
No caso do Concelho da Figueira os eleitores foram claros. Queriam que o PS governasse a câmara mas sem maioria.
Assim se estivéssemos num sistema decente o PS elegia todos os vereadores para o executivo e na Assembleia Municipal decidia o que fazer.

O actual sistema político autárquico serve apenas para os partidos, grandes e pequenos, tentarem subverter o resultado das eleições. Porque? Porque em Portugal os partidos não são fonte de ideias e de desenvolvimento mas de poder.

2009/10/23

(Falta de) Jurisdição

Processos disciplinares no PS e no PSD. Este é o titulo de uma noticia do Diário as Beiras de hoje.

Como é natural, não faltam declarações de alguns dos visados. O que é verdadeiramente exotérico é que nunca se façam as perguntas como deve de ser.

Olhe Sr. fulano os estatutos do seu partido dizem que se o senhor apoiar uma lista concorrente com a do seu partido a sanção é x ou, se o senhor concorrer numa lista concorrente com a do seu partido a sanção é Y.

O Sr. que concorreu ou, apoiou uma lista concorrente o que tem a dizer?

Se lermos as respostas dadas pelos visados, com excepção de uma nuance, dá a ideia que estamos perante uma atitude de vingança. As respostas são, basicamente, estou preparado para me defender.

Oh homens defender de quê? Se apoiaram ou concorreram numa lista oponente ao vosso partido querem o quê?
O habitual em Portugal ou seja, regimes de excepção?

2009/10/22

Radar de comentários ( dos outros entenda-se)



Antes das eleições pelas caixas de comentários de blogs figueirenses lia-se basicamente que era preciso mudar quem mandava na câmara.

Só por mudar? Nada disso. O PS tinha gente capaz, um programa, era preciso acabar com a maioria do PSD, acabar com os desmandos na câmara etc……..

Sempre que havia um comentador que fazia algum reparo político menos simpático para o PS, uma patrulha vinha logo acusar que queria era destabilizar e contribuir para a derrota do partido.

Agora que acabaram as eleições basicamente o que se lê é sobre quem vai ocupar os lugares: Repare-se que as listas eram conhecidas na altura. Não à nomes surpresa.
Ataíde era o nome mais lido ( a par do Paredes). Hoje quem ler os comentários ainda pensa que o presidente é outro ou outros.
Repare-se que a composição da Assembleia Municipal já não os incomoda.

A agressividade dos comentários e a “fome” é tanta que já não à programa, equipa ou seja lá o que for que os acalme.

Moral desta “estória”: primeiro estão a apanhar o gosto à espada e segundo não à nada que se consiga reprimir durante muito tempo.

Quanto à espada usam-na com cuidado quanto ao resto falem homens, não rebentem.

Noticias regionais locais e afins…..



(Na foto João Portugal,presidente da Federação Distrital de
Coimbra da JS.)
.”…mas nunca avançarei sem primeiro falar com actuais e antigos
dirigentes e autarcas e com os militantes". ( Noticia Diario as Beiras )

Com os militantes dava jeito a não ser que quisesse fazer uma surpresa de última hora. Já a referência à corte anterior é um sintoma preocupante.

A propósito disto tudo:

Ontem foi o PSD ( foto no post em baixo) hoje o PS.

Cronologia passada, presente, “amanhã” e futura.

Passada
De diferente: O PS ganhou as eleições o PSD perdeu.
Semelhante: Mau estar nas estruturas políticas locais.

Presente
De diferente: O PS procura distribuir os pelouros o PSD não tem pelouros para distribuir.
Semelhante: Os políticos locais acham que algo está mal nas estruturas políticas e que é preciso fazer alguma coisa.

Amanhã
De diferente: O PS vai tentar governar a câmara e o PSD tentar fazer oposição.
Semelhante: Os políticos locais acham que é preciso mudar alguma coisa para que tudo fique na mesma mas, sobretudo, é preciso consenso. Em seu redor e dos seus nomes entenda-se.

Futuro:
Enquanto os protagonistas políticos procurarem plenários, consensos e o diabo a sete sem antes promoverem um debate alargado, com tempo e pensado, o futuro será igual ao passado. Basta pegar no esquema anterior e trocar os partidos de posição.

Mas no fundo no fundo não é isto que querem? Não é preferível perder de vez em quando mas ganhar outras tantas?