
Não consigo perceber os comentários que vou lendo pela blogosfera figueirense, imprensa e políticos, relativamente ao orçamento para 2010. Não é tanto os comentários ao orçamento mas a importância que lhe dão.
Tenho modestos conhecimentos de contabilidade e finanças públicas. Foram aprendidos e apreendidos (em alguns casos) com esforço. Por gosto vou estudando e lendo algumas coisas sobre essas temáticas. Continuo a teimar em dar mais importância “à descrição dos itens do que à factura em si.”
Qual é a importância do orçamento?
É um documento obrigatório, meramente técnico. Nada mais.
Um bom técnico de contabilidade faz um orçamento sem falhas. Não são precisos, um presidente e 8 vereadores.
O que eu gostaria de estar a discutir era um plano estratégico de desenvolvimento para o concelho. Os dois maiores partidos não têm, neste momento, capacidade para tal.
Não sendo possível, já me contentava em discutir as grandes opções do plano e o plano plurianual de investimentos. Estes aspectos é que são o verdadeiro orçamento (ou pelo menos uma boa parte dele).
Podem dizer que o que acabei de escrever está reflectido no orçamento. Não concordo.
A razão é simples. Se não contarmos com a despesa corrente e outros encargos financeiros (nomeadamente à banca), em parte porque são mais certos e mais rígidos, ficamos sempre com outro tipo de despesas ( ex: de investimento ) e acima de tudo com um grave problema de receitas. Nestes casos a ausência de um plano realista e estruturado não permite reflectir nada no orçamento. Nem uma ficção.
Dois exemplos:
Muitas despesas de investimento, tenho ideia que são a maioria, não têm em conta os encargos e custos de manutenção. Um “bom” investimento pode resultar, por exemplo numa estrutura difícil de manter, rentabilizar e desenvolver.
Não é possível prever um plano de receitas, por ex: do sector imobiliário, sem se saber onde será permitido construir e em que condições.
Os partidos políticos têm a obrigação de, durante o ano de 2010, pensarem os problemas do concelho e procurarem as melhores soluções. O Orçamento para 2011 será, ou não o reflexo disso.
Para já nem reflexo nem ficção. Apenas a constatação de que não dá para continuar assim.






